O Dr. Gustavo Khattar de Godoy acompanha um debate que se tornou central no avanço da saúde digital no Brasil: a proteção das informações sensíveis dos pacientes diante da crescente digitalização dos serviços médicos. Prontuários eletrônicos, plataformas de telemedicina, sistemas de armazenamento de imagens diagnósticas e aplicativos de saúde geram, todos os dias, um volume massivo de dados pessoais e clínicos. A forma como essas informações são coletadas, armazenadas, transmitidas e descartadas define não apenas a integridade técnica dos sistemas, mas também a confiança dos pacientes na infraestrutura digital que cuida da sua saúde.
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A natureza estratégica dos dados em saúde
Informações médicas estão entre os dados mais sensíveis que existem. Diagnósticos, histórico de tratamentos, exames laboratoriais e registros psiquiátricos compõem um conjunto de informações que, se acessado indevidamente, pode gerar consequências graves para o paciente, incluindo discriminação no mercado de trabalho, no acesso a seguros e em relações pessoais. Por essa razão, regulamentações nacionais e internacionais estabelecem categorias específicas de proteção para esse tipo de dado.
No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais classifica informações sobre saúde como dados sensíveis, exigindo tratamento diferenciado por parte de hospitais, clínicas, laboratórios e plataformas digitais. Em linha com o que expõe o Dr. Gustavo Khattar de Godoy, a adequação à LGPD não deve ser entendida como mera obrigação legal, mas como componente estrutural da prática médica contemporânea, que precisa incorporar a proteção de dados como elemento ético do cuidado.
Vulnerabilidades técnicas e ataques cibernéticos ao setor de saúde
O setor de saúde tem se tornado um dos alvos preferenciais de ataques cibernéticos em escala global. Hospitais paralisados por sequestros de dados, vazamentos de prontuários e fraudes em sistemas de telemedicina são episódios cada vez mais frequentes. A motivação dos atacantes vai desde o ganho financeiro direto, com a venda de informações no mercado ilegal, até a extorsão de instituições que dependem do acesso imediato aos dados para manter suas operações clínicas.
A partir disso, a robustez da infraestrutura digital se torna um pilar tão importante quanto a competência clínica dos profissionais. Sistemas atualizados, criptografia de ponta a ponta, autenticação multifator e auditorias periódicas passaram a ser requisitos básicos para qualquer instituição que opere com dados de saúde. Para o Dr. Gustavo Khattar de Godoy, a integração entre equipes médicas e times de tecnologia da informação é decisiva para construir ambientes verdadeiramente seguros.

O papel da governança e da cultura institucional
A segurança de dados em saúde não depende exclusivamente de soluções tecnológicas. Grande parte dos incidentes registrados no setor decorre de falhas humanas, como o uso de senhas fracas, o compartilhamento indevido de credenciais e a abertura de links maliciosos por profissionais sem treinamento adequado. Sendo assim, a cultura institucional e a governança de dados ocupam papel tão relevante quanto os investimentos em infraestrutura tecnológica.
Programas de capacitação contínua, políticas claras sobre o uso de sistemas e protocolos bem definidos para resposta a incidentes compõem o conjunto mínimo de práticas que instituições de saúde precisam adotar. O Dr. Gustavo Khattar de Godoy pondera que a maturidade institucional nesse campo ainda é heterogênea no Brasil, com grandes redes hospitalares apresentando estruturas avançadas e clínicas de menor porte enfrentando dificuldades para implementar protocolos básicos de proteção.
Transparência com o paciente e o futuro da governança digital
A relação entre paciente e instituição de saúde também passa por transformações importantes nesse contexto. O direito à informação sobre o tratamento dos próprios dados, a possibilidade de solicitar acesso, correção ou exclusão de registros e a transparência sobre compartilhamentos com terceiros são pontos que ganharam centralidade após a vigência da LGPD.
Em síntese, a segurança de dados na saúde digital deixou de ser uma pauta restrita aos departamentos de tecnologia e passou a integrar a discussão sobre qualidade do cuidado e responsabilidade institucional. Gustavo Khattar de Godoy enfatiza que o avanço da telemedicina, da teleradiologia e das demais modalidades digitais só se sustenta a longo prazo se acompanhado por compromisso real com a proteção das informações dos pacientes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
