Para algumas pessoas idosas, o principal obstáculo não é apenas precisar de atendimento, mas conseguir chegar até ele. Idosos com limitações funcionais significativas, restritos ao domicílio ou com dificuldades severas de locomoção, enfrentam barreiras que vão além da disponibilidade de serviços de saúde. Mesmo quando o atendimento existe e está tecnicamente acessível, a dificuldade prática de se deslocar até ele pode impedir que o cuidado necessário seja efetivamente recebido, evidenciando que acessibilidade em saúde não depende apenas da oferta de serviços.
Como pós-graduado em geriatria, o Doutor Yuri Silva Portela remete que reconhecer essa dificuldade é o primeiro passo para compreender por que, em determinados casos, adaptar o local do atendimento pode ser tão importante quanto o próprio conteúdo do cuidado oferecido. A seguir, essa expansão do cuidado domiciliar é explicada em detalhes, mostrando como diferentes profissionais podem atuar dentro dessa estratégia de atendimento multidisciplinar ao idoso.
Quais são as principais funções das equipes multiprofissionais no cuidado domiciliar?
O Ministério da Saúde lançou o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, o Padi Brasil, iniciativa que estrutura o cofinanciamento federal para levar equipes multiprofissionais às residências de idosos com limitações funcionais acompanhados pela Atenção Primária à Saúde. O programa prevê investimento federal de aproximadamente meio bilhão de reais até 2027, direcionado à ampliação dessas equipes em diferentes municípios do país.
Essa modalidade de cuidado permite que consultas, avaliações e parte do acompanhamento ocorram na própria residência do paciente, reduzindo a necessidade de deslocamentos que, para muitas famílias, representam um obstáculo considerável. Como comenta Yuri Silva Portela, essa proximidade também favorece uma compreensão mais completa da rotina do paciente, algo que dificilmente seria alcançado em um atendimento realizado exclusivamente em ambiente hospitalar ou ambulatorial.
Interdisciplinaridade em equipes de saúde melhora planos de cuidado para pacientes
As equipes multiprofissionais que atuam no cuidado domiciliar reúnem médicos, psicólogos, nutricionistas e outros especialistas, atuando de forma integrada junto às equipes de Saúde da Família. Essa composição permite que diferentes necessidades do paciente sejam identificadas e trabalhadas dentro de uma mesma estratégia de acompanhamento.

Cada especialidade contribui com um olhar técnico específico sobre a condição do paciente, e a soma dessas perspectivas favorece planos de cuidado mais completos do que uma única consulta isolada conseguiria proporcionar. Doutor Yuri Silva Portela aponta que considerar a realidade concreta em que o paciente vive, incluindo suas limitações de mobilidade e o ambiente doméstico, é essencial para que o plano de cuidado proposto seja realmente aplicável ao seu cotidiano.
Por que é importante considerar as condições de segurança do lar ao avaliar a saúde do idoso?
Avaliar o paciente dentro de seu próprio ambiente permite compreender aspectos que dificilmente seriam percebidos em uma consulta tradicional, como adaptações necessárias na casa, a dinâmica familiar envolvida no cuidado e as reais condições de segurança do espaço em que o idoso vive.
Essa observação direta favorece recomendações mais alinhadas à realidade do paciente, em vez de orientações genéricas que nem sempre consideram as particularidades do ambiente doméstico.
Integração entre profissionais e limites do cuidado domiciliar
A comunicação constante entre os diferentes profissionais envolvidos no cuidado domiciliar é o que sustenta a efetividade dessa modalidade de atendimento. Sem essa integração, o risco de orientações fragmentadas ou até conflitantes aumenta significativamente, especialmente em pacientes com múltiplas condições crônicas simultâneas.
O cuidado domiciliar não substitui integralmente o acompanhamento realizado em unidades de saúde, funcionando como modalidade complementar voltada especificamente a pacientes com limitações funcionais relevantes. Sua efetividade depende da correta identificação de quem realmente se beneficia dessa modalidade, evitando tanto a subutilização quanto o uso inadequado do recurso.
Doutor Yuri Silva Portela expressa, ao fim, que essa articulação entre diferentes especialidades, e não apenas a presença física do atendimento na residência, é o que determina a qualidade do cuidado domiciliar oferecido. O local do atendimento também pode fazer parte da estratégia de cuidado, especialmente quando limitações funcionais ou barreiras de acesso dificultam a chegada do paciente aos serviços de saúde, e cada indicação deve ser avaliada individualmente por profissionais habilitados.
