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    Home»Economia»Selic cai para 14% e mercado reduz projeção de inflação para 2026, mas alívio ainda é modesto
    Economia

    Selic cai para 14% e mercado reduz projeção de inflação para 2026, mas alívio ainda é modesto

    Yvonne BellardPor Yvonne Bellard18 de agosto de 20264 Mins Read
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    Quarto corte seguido nos juros reflete desaceleração da atividade econômica, embora o Boletim Focus mantenha cautela sobre a convergência do IPCA à meta

    O Banco Central promoveu, no início de agosto, o quarto corte consecutivo na taxa básica de juros, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária foi acompanhada de perto por famílias e empresas que tentam entender até onde vai a redução do custo do crédito no país. Junto com o movimento, o mercado financeiro também revisou para baixo a expectativa de inflação em 2026, que passou a 5,02%, segundo o relatório Focus divulgado pela autoridade monetária.

    O que motivou o novo corte da Selic

    A decisão do Copom levou em conta a desaceleração gradual da atividade econômica brasileira, mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido. O comitê avaliou que a inflação recente perdeu força, embora continue acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Os núcleos de inflação, que medem a variação de preços descontando itens mais voláteis, também mostraram sinais de desaceleração nos últimos meses.

    Segundo o Banco Central, o corte é compatível com a estratégia de fazer a inflação convergir para a meta nos próximos períodos. A instituição afirmou que a redução busca, além da estabilidade de preços, suavizar oscilações na atividade econômica e favorecer o emprego. O Copom também citou o cenário externo como fator de atenção, mencionando as incertezas ligadas a conflitos no Oriente Médio e à política monetária de economias avançadas como elementos que ainda exigem cautela na condução dos juros brasileiros.

    Por que a queda na expectativa de inflação é vista com moderação

    A revisão do Focus para 5,02% em 2026 representa uma melhora na percepção dos analistas consultados pelo Banco Central, mas o número segue distante do centro da meta oficial. O boletim mais recente da Serasa Experian reforça esse cenário de contrastes: a inflação perdeu força, o real se valorizou frente ao dólar e o mercado de trabalho seguiu aquecido, mas os juros permanecem elevados e a inadimplência continua em trajetória de alta.

    No câmbio, o dólar encerrou julho perto de R$ 5,07, com queda em relação ao mês anterior, movimento atribuído principalmente ao enfraquecimento global da moeda americana e à alta do petróleo. Ainda assim, o real continua sensível às decisões de juros nos Estados Unidos e às incertezas fiscais e eleitorais no Brasil, o que limita a força dessa valorização. A projeção da Serasa Experian é de apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, o que levaria a Selic a fechar 2026 no mesmo patamar atual.

    O impacto no crédito e na renda das famílias

    Mesmo com o ciclo de cortes em curso, o crédito para consumidores e empresas deve continuar caro no curto prazo, já que a Selic permanece em um dos patamares mais altos da série histórica recente. Os dados de inadimplência ajudam a explicar essa cautela: em junho, o país chegou a 83,7 milhões de consumidores inadimplentes, com centenas de milhares de novos registros no mês, e cada pessoa nessa situação acumulava em média mais de uma dívida em aberto.

    Para quem pretende financiar um imóvel, contratar um empréstimo pessoal ou renegociar dívidas no cartão de crédito, a orientação de especialistas do mercado financeiro é comparar taxas entre instituições e considerar linhas com juros mais baixos, como o crédito consignado, antes de recorrer a modalidades mais caras. Já para quem investe, a manutenção de juros elevados por mais tempo tende a manter a atratividade de aplicações em renda fixa atreladas à Selic e ao CDI.

    O que esperar para os próximos meses

    O mercado também recuou na expectativa da própria Selic para o fim do ano, sinal de que os agentes financeiros passaram a enxergar espaço mais limitado para novos cortes agressivos. O ritmo de resgates em fundos de investimento nos primeiros pregões de agosto reflete justamente essa cautela, associada à proximidade das eleições, aos juros ainda altos e à possibilidade de desaceleração mais acentuada da economia brasileira nos próximos meses.

    Para o consumidor final, a leitura prática é que o alívio no custo de vida deve continuar sendo gradual. A tendência é que o Banco Central mantenha o discurso de cautela nas próximas reuniões, monitorando tanto o comportamento da inflação doméstica quanto os desdobramentos do cenário internacional, incluindo a política comercial dos Estados Unidos, que tem gerado pressão adicional sobre parte da economia brasileira nas últimas semanas.

    O cenário de agosto mostra, portanto, um país em transição: os juros começam a ceder, a inflação perde fôlego, mas a recuperação do poder de compra ainda depende de uma combinação de fatores que só deve se consolidar de forma mais clara no próximo ano.

    Fontes:

    https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/expectativa-do-mercado-para-inflacao-de-2026-cai-para-502

    https://www.serasaexperian.com.br/conteudos/boletim-economico-de-agosto-2026/

    https://cdlpoa.com.br/noticia/destaques-economicos-cdl-poa-11ago2026

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