Com Lula à frente nas pesquisas mas a inflação acima da meta, a disputa presidencial tem mais variáveis do que o noticiário costuma mostrar
A corrida presidencial de 2026 já começou, mesmo que a maioria dos candidatos ainda evite usar essa palavra. Em março de 2026, o noticiário político registrava ao menos oito pré-candidatos, dos quais sete podiam ser situados com graus diferentes no espectro da direita ou centro-direita. Do lado do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue como o nome mais forte nas pesquisas, mas enfrenta uma combinação de inflação pressionada, juros elevados e desgaste natural de um terceiro mandato. A disputa ainda está aberta porque nenhum candidato da oposição reuniu condições suficientes para desafiar Lula de forma consistente, mas o terreno eleitoral está em movimento intenso. O eleitor brasileiro sente na prática o peso das variáveis econômicas, e isso costuma importar mais do que qualquer narrativa de campanha.
O quadro partidário é complexo. O Partido Liberal (PL) e o Republicanos concentram as principais apostas do campo conservador, mas a definição de quem será o candidato envolve negociações que incluem a situação jurídica de Jair Bolsonaro, as ambições de Tarcísio de Freitas e a capacidade de Flávio Bolsonaro de transformar visibilidade midiática em votos reais fora do núcleo duro bolsonarista. Do lado do governo, a candidatura de Lula à reeleição ainda não está formalmente confirmada, mas é tratada como premissa por aliados e adversários. O campo do centro democrático, historicamente ocupado por nomes como Simone Tebet e Geraldo Alckmin, busca espaço numa disputa que tende a se polarizar entre os dois extremos do espectro.
O PESO DAS ALIANÇAS E A DISPUTA PELOS INDECISOS
A eleição de 2026 será decidida, como quase sempre, pelos eleitores que não têm identidade partidária fixa: aqueles que votaram em Bolsonaro em 2018, em Lula em 2022, e que em 2026 avaliarão candidatos a partir de critérios pragmáticos como preço dos alimentos, segurança pública e perspectiva de emprego. Esse eleitorado flutuante é disputado por todos os campos, e nenhum partido tem garantia sobre ele. Para o governo, o desafio é mostrar que o crescimento econômico dos últimos anos se traduz em melhoria real de vida. Para a oposição, o desafio é apresentar um candidato que combine credibilidade, governabilidade e capacidade de montar uma coalizão suficientemente ampla para ganhar em segundo turno.
As alianças regionais têm peso decisivo nesse contexto. A escolha dos candidatos ao Senado, às governadorias e à Câmara será feita em paralelo à disputa presidencial, e as lideranças locais exercerão influência direta sobre os resultados. Em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde a direita tem governadores com alta aprovação, a dinâmica eleitoral pode amplificar o voto conservador ao longo da chapa completa. Em estados do Nordeste, onde o PT tem presença histórica, o cenário é diferente, mas o campo conservador tem demonstrado crescimento, especialmente em capitais onde avançou nas eleições municipais de 2024. O mapa eleitoral está sendo redesenhado, e as convenções partidárias marcadas para o segundo semestre de 2026 serão decisivas para definir o contorno final dessa disputa.
O CONGRESSO COMO PODER EM DISPUTA
Além da Presidência, as eleições de 2026 decidirão 54 das 81 cadeiras do Senado e toda a Câmara dos Deputados. O Congresso que sair das urnas definirá a capacidade de governar de quem vencer o Executivo. Nos últimos meses, pesquisa do instituto Genial/Quaest mostrou que 66% dos brasileiros querem eleger senadores comprometidos a aprovar pedidos de impeachment de ministros do STF, um dado que revela o nível de insatisfação com o Judiciário e abre espaço para candidaturas focadas nessa pauta. A construção de maiorias no Senado é um objetivo estratégico declarado do campo conservador, que vê na Casa uma trincheira de resistência caso não consiga a Presidência.
Para o presidente do Senado, a Câmara e os líderes de partidos governistas, o quadro é preocupante. Um Congresso majoritariamente oposicionista com um presidente reeleito criaria um ambiente de paralisia institucional semelhante ao que já se viu em outros mandatos. O debate sobre as regras eleitorais, o financiamento de campanha e o papel das plataformas digitais na política continuará sendo travado nos próximos meses, enquanto partidos de todos os campos ajustam suas estratégias para as convenções. O que é certo é que 2026 será um ano político de alta intensidade, com consequências que vão muito além do nome que ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2027. Fontes: CNN Brasil | Gazeta do Povo | Poder360
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
