O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) representou o Brasil na 10ª Reunião do Grupo de Trabalho do BRICS sobre Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial. O encontro ocorreu nos dias 9 e 10 de setembro de 2026, em Goa, na Índia, com a participação de representantes dos países que integram o bloco.
A presença brasileira foi divulgada pelo Laboratório Nacional de Computação Científica em 5 de outubro. A delegação foi representada por Carla Osthoff, tecnologista sênior do laboratório e coordenadora do Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho (CENAPAD).
Infraestrutura computacional esteve no centro do debate
Durante a reunião, o Brasil apresentou iniciativas relacionadas a diferentes frentes da infraestrutura científica digital. Entre os temas abordados estiveram a computação de alto desempenho, a inteligência artificial, o armazenamento e o compartilhamento de dados, as redes federadas e a computação quântica.
Essas áreas fazem parte de uma agenda estratégica para pesquisas que dependem da capacidade de processar grandes volumes de informação. Supercomputadores e outros recursos avançados podem apoiar simulações complexas, análises científicas, modelagens e aplicações de inteligência artificial que exigem recursos superiores aos disponíveis em computadores convencionais.
A discussão também envolve a forma como laboratórios, universidades e instituições de pesquisa podem acessar e compartilhar estruturas computacionais. Ao tratar de redes federadas e integração de dados, o grupo de trabalho amplia o debate para além da aquisição de equipamentos, incluindo a conexão entre diferentes centros de pesquisa e suas bases de informação.
Cooperação entre os países do BRICS
A reunião do grupo de trabalho demonstra o esforço de cooperação entre os países do BRICS em setores considerados relevantes para o desenvolvimento científico e tecnológico. A troca de experiências pode contribuir para aproximar instituições de pesquisa e discutir caminhos comuns para o uso de tecnologias de alto desempenho.
No caso brasileiro, a participação do LNCC coloca em evidência a importância de uma infraestrutura nacional capaz de atender projetos que exigem processamento intensivo. A instituição é uma unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com atuação associada ao desenvolvimento e ao suporte de pesquisas científicas baseadas em computação avançada.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação também reúne informações sobre iniciativas e políticas públicas ligadas ao fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação no país. Esse contexto ajuda a situar a participação brasileira em fóruns internacionais voltados a capacidades computacionais estratégicas.
Inteligência artificial e computação quântica
A inteligência artificial foi tratada ao lado de temas estruturantes, como armazenamento de dados e computação de alto desempenho. A combinação dessas áreas é relevante porque sistemas de IA dependem de infraestrutura para treinamento, processamento e análise, especialmente quando aplicados a grandes conjuntos de dados científicos.
A inclusão da computação quântica na agenda indica, ainda, que as discussões do grupo não se limitam às ferramentas atualmente disponíveis. A tecnologia é estudada como uma possível frente de transformação da capacidade de resolver determinados problemas computacionais, embora seu desenvolvimento ainda esteja associado a desafios científicos e tecnológicos.
Para o Brasil, a cooperação internacional pode favorecer o intercâmbio de conhecimento e a articulação de redes de pesquisa. A participação em grupos especializados também permite acompanhar debates sobre padrões, infraestrutura, armazenamento e compartilhamento de dados, aspectos que influenciam a capacidade de produzir ciência em escala.
Atuação do LNCC amplia visibilidade da pesquisa brasileira
Ao representar o país em uma reunião dedicada à computação de alto desempenho e à inteligência artificial, o LNCC apresenta a infraestrutura científica brasileira em um espaço de diálogo multilateral. A atuação do laboratório também reforça o papel dos centros nacionais de pesquisa na construção de capacidades tecnológicas para universidades e projetos científicos.
O encontro em Goa reuniu, portanto, temas que atravessam diferentes áreas do conhecimento e que dependem de cooperação entre instituições. A agenda apresentada pelo Brasil conectou recursos de processamento, dados, inteligência artificial, redes de pesquisa e tecnologias emergentes, mantendo a computação avançada no centro da discussão sobre o futuro da ciência.
