O quinto leilão do Eco Invest Brasil homologou R$ 49,95 bilhões em investimentos destinados a seis cadeias produtivas ligadas à inovação tecnológica e à transformação ecológica. O resultado foi homologado em 7 de outubro de 2026 pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Ministério da Fazenda, e divulgado oficialmente no dia seguinte.
A rodada recebeu 23 propostas apresentadas por seis instituições financeiras. A demanda total alcançou R$ 181,3 bilhões, mais de três vezes o volume finalmente homologado. Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos de inovação e operações de crédito corporativo, segundo informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Recursos serão distribuídos entre setores estratégicos
Entre as áreas contempladas estão a circularidade de resíduos minerais e industriais, a automação e a inteligência artificial aplicada à produção. O pacote também inclui fertilizantes verdes, bioinsumos, biomateriais, química verde, minerais críticos, baterias, mobilidade elétrica, biogás e biometano.
A cadeia de resíduos minerais e industriais concentrou o maior volume individual, com R$ 11 bilhões homologados. A prioridade indica a intenção de associar a expansão do crédito à modernização de processos industriais e ao reaproveitamento de materiais, em uma agenda que combina produtividade, redução de desperdícios e menor pressão sobre recursos naturais.
Os demais setores reúnem atividades consideradas relevantes para a transição energética e para o desenvolvimento de novas tecnologias no Brasil. Baterias e mobilidade elétrica, por exemplo, estão relacionadas à eletrificação do transporte, enquanto biogás, biometano e fertilizantes verdes integram a busca por alternativas de menor impacto ambiental em energia e produção agroindustrial.
Programa busca ampliar o investimento privado
O Eco Invest Brasil faz parte do Plano de Transformação Ecológica e foi estruturado para mobilizar investimentos privados de longo prazo. De acordo com a página institucional do Tesouro Nacional, o programa utiliza instrumentos voltados à redução de riscos, à mitigação da volatilidade cambial e à estruturação de projetos.
Na prática, o mecanismo procura aproximar recursos públicos e capital privado em projetos considerados estratégicos para a economia brasileira. A participação das instituições financeiras selecionadas ocorre por meio da estruturação de fundos de inovação e de operações de crédito corporativo, modalidades que podem atender empresas, cadeias industriais e empreendimentos tecnológicos.
O volume de propostas recebidas também mostra o interesse do mercado pelos instrumentos oferecidos no leilão. Embora a demanda tenha sido de R$ 181,3 bilhões, o montante homologado ficou concentrado nas prioridades definidas para a rodada, preservando o foco em setores associados à inovação e à transformação ecológica.
Pesquisa e empresas de base tecnológica terão recursos
Além do financiamento reembolsável, as propostas aprovadas preveem aproximadamente R$ 249,8 milhões em recursos não reembolsáveis no primeiro ano. O dinheiro será destinado a pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e empresas de base tecnológica.
Esse componente amplia o alcance do leilão para além da concessão de crédito. A previsão de recursos não reembolsáveis pode apoiar projetos em fases de pesquisa e desenvolvimento, nas quais ainda há incerteza tecnológica e maior dificuldade de acesso ao financiamento tradicional.
Os Fundos de Inovação também deverão reservar entre 10,25% e 20% de seus investimentos para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A aplicação deverá ocorrer em parceria com universidades e instituições científicas, tecnológicas e de inovação.
A exigência cria uma conexão direta entre o capital mobilizado pelo programa e o sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação. Para universidades, institutos de pesquisa e startups de base tecnológica, a medida pode abrir espaço para projetos associados às cadeias priorizadas, desde que atendam às regras dos fundos e das operações estruturadas.
Quais instituições participaram do leilão
Seis instituições financeiras participaram da disputa. Além de Bradesco, HSBC, Itaú e Santander, que foram selecionados, Banco do Brasil e Citibank apresentaram propostas, mas não aparecem entre os vencedores informados pelo governo.
A homologação representa a etapa formal de validação do resultado do quinto leilão. A partir dela, os bancos selecionados poderão avançar na estruturação dos fundos e das operações previstas, direcionando os recursos para empresas e projetos dos setores definidos na rodada.
O resultado reforça a estratégia do Eco Invest Brasil de usar instrumentos financeiros para apoiar uma agenda nacional de inovação, descarbonização e transformação produtiva. Os efeitos sobre empresas, centros de pesquisa e cadeias industriais dependerão da implementação dos fundos, da seleção dos projetos e da capacidade de converter o volume anunciado em investimentos efetivos.
