Com o avanço de motos, scooters e bicicletas elétricas nas cidades do litoral paulista, Fredy da Silva Gonçalves Bento, CEO da Litoral Mobilidade, acompanha de perto uma mudança no comportamento de quem compra. O interesse por veículos elétricos cresceu, mas a decisão final raramente se resume ao preço da etiqueta. Garantia, disponibilidade de peças e acesso à assistência técnica passaram a pesar tanto quanto autonomia e design, e a mobilidade elétrica só ganha espaço de forma duradoura quando o consumidor sabe a quem recorrer depois da compra.
O que o consumidor procura além do preço?
Para quem troca o transporte público ou a moto a combustão por um modelo elétrico, as dúvidas surgem logo nas primeiras semanas de uso. Quanto tempo dura a bateria, onde fazer a revisão, quem troca um controlador com defeito e em quanto tempo a peça chega são perguntas frequentes. Em um mercado ainda jovem, muitas vendas aconteceram sem qualquer estrutura de suporte, e parte dos compradores ficou sem resposta quando o veículo apresentou o primeiro problema. O resultado foi uma desconfiança que ainda acompanha o setor.
Conforme contextualiza Fredy da Silva Gonçalves Bento, a insegurança sobre manutenção costuma ser mais decisiva do que a diferença de preço entre dois modelos semelhantes. O consumidor que depende do veículo para trabalhar, entregar pedidos ou chegar ao emprego não pode ficar dias parado aguardando conserto. Por essa razão, a compra de um veículo elétrico passou a ser, na prática, a escolha de uma relação de longo prazo com a loja, que precisa responder com rapidez quando algo sai do previsto.

Assistência técnica como parte da operação
A Litoral Mobilidade, sob a gestão de Fredy da Silva Gonçalves Bento, estrutura a assistência técnica como parte da própria operação, e não como serviço acessório. O centro de distribuição próprio, com mais de 2.000 m², e um estoque de aproximadamente R$ 8 milhões permitem manter peças e veículos disponíveis sem depender exclusivamente de terceiros. A atuação com importação completa o desenho, porque encurta o caminho entre a necessidade do cliente e a reposição de componentes específicos de cada modelo.
Na rotina de uma rede que comercializa centenas de veículos elétricos por mês, a escala muda a natureza do pós-venda. Cada unidade vendida representa uma revisão futura, uma possível troca de bateria ou um ajuste de freios, e a equipe técnica precisa estar preparada para esse volume. Com mais de 40 colaboradores, a empresa reúne uma estrutura compatível com a demanda de atendimento, de modo que o crescimento das vendas não precisa comprometer a qualidade do suporte oferecido ao cliente.
Profissionalização de um mercado ainda jovem
A expansão da mobilidade elétrica no Brasil convive com dois modelos de negócio bastante distintos. De um lado, vendedores que trabalham apenas com giro de mercadoria, sem oficina ou estoque de peças. De outro, operações que tratam o veículo elétrico como produto que exige acompanhamento durante toda a vida útil. A diferença entre os dois caminhos aparece com clareza meses depois da venda, quando o cliente volta à loja e descobre se existe ou não alguém preparado para atendê-lo.
Fredy da Silva Gonçalves Bento problematiza a ideia de que o setor possa crescer de forma consistente apenas com base em preço baixo e volume de vendas. O projeto de transformar a Litoral Mobilidade em rede de franquias leva em conta justamente a necessidade de padronizar assistência técnica, qualidade dos produtos e atendimento em outras cidades. Para o mercado, a profissionalização do pós-venda tende a separar as empresas que vão permanecer daquelas que surgiram apenas para aproveitar o momento.
