Privacidade Hackeada: espionagem midiática e inocência usuária

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Privacidade Hackeada: espionagem midiática e inocência usuária

Crédito: Reprodução/Netflix

Hoje em dia, com o hábito de acessarmos nossos aparelhos eletrônicos, enviamos centenas de dados pessoais/profissionais a um destino desconhecido: o espaço virtual. Nele, são armazenadas todas as informações que cada usuário compartilha: sentimentos, ideais, estatísticas, trajetos, conquistas, dentre inúmeros acontecimentos. As plataformas digitais, redes sociais e aplicativos são responsáveis por captar esses dados e os usam como bem entenderem, e podem transformar isso em algo viral e influenciável que você nem se dá conta.

Um exemplo grande, chamativo e importante, foi o caso dos escândalos protagonizados pelo Facebook em março do ano passado (2018), em que a Cambridge Analytica (empresa privada que controlava os dados com comunicação estratégica no processo eleitoral) coletou os dados de cerca de 87 milhões de usuários sem consentimento. Escândalo esse que se tornou tema para o documentário Privacidade Hackeada, dirigido por Karim Amer e Jehane Noujaim, mostrando todo processo de investigação de dados pessoais através da rede social, criando um perfil de cada usuário influenciando o público a determinar e gerar conflitos políticos entre preferência partidária, questões idealizadoras etc.

O documentário segue uma narrativa que busca esclarecer, através de alguns personagens que ocupam diferentes posições na trama, envolvendo essa desordem que influenciou nas eleições americanas de 2016 e os resultados do plebiscito sobre o Brexit. Algum deles é o professor de design de mídia da Parsons School for Design, de Nova Iorque, David Caroll, onde ele relata um processo contra a instituição de controle de dados, que foi recusado pela companhia em devolver seus dados, dados esses que foram tomados ao responder um quiz no Facebook sem o seu consentimento. Através da rejeição, ele prontificou-se de ir mais a fundo na investigação, buscando quais as finalidades dos dados obtidos têm para empresas de tecnologia de internet.

Em outro lado, a ex-diretora de desenvolvimento de negócios da Cambridge Analytica, Brittany Kaiser, que também ajudou na campanha do ex Presidente Brack Obama em 2008, entrou como delatora do processo, questionada na legislação do Reino Unido e por Mueller. Ela, que relatou que teve que se adaptar para viver, pois o pai estava passando por problemas de saúde, encorajou-se do problema feito e confirmou sua participação no processo de contratação para as campanhas do partido de Trump e do Brexit em 2016. Outro ex funcionário foi Christopher Wylie, cientista de dados que ajudou a montar a companhia e confessou, culpabilizando-se pelo mal que pôde ter causado à sociedade através da conduta ilegal da empresa durante o eleitorado.

Vale ressaltar também o empenho da jornalista do The Guardian, Carole Cadwalladr, que se mobiliza contra a apropriação e uso ilegais de dados que afetam diretamente a democracia e soberania da população, expondo todas as descobertas sobre o escândalo.

O ex-C.E.O. da Cambridge AnalyticaAlexander Nix, preferiu não dá seu depoimento para os diretores do filme, mas em um vídeo captado ele aparece secretamente durante uma mesa de negociações. Uso indiscriminado e ilegal de dados, aliando tecnologia, psicologia comportamental e técnicas de propaganda.

O enredo do filme chega a ser surreal, quando você para e vê quem manipula mais sua vida na internet do que a si mesmo. A crescente exposição dos usuários nas redes sociais torna tudo mais fácil para o controle midiático motivar as nossas práticas. É preciso  ficarmos atentos aos direitos de posse e uso dos nossos dados, pois a tecnologia em massa são as novas armas de uma guerra que arruína nações, modifica relações pessoais, descontrola destinos e manipula psicologicamente a sociedade, colocando grupos e pessoas umas contra as outras. A distribuição diária de fake news vem causando grande balbúrdia para a população, afetando e aumentando níveis de distorção de fatos até taxas de mortalidade.  

Por fim, a produção documentária que foi extremamente minuciosa, diga-se de passagem, é de total relevância para que as pessoas possam repensar antes de compartilhar e se alienar com tais recursos que ferem a si mesmo e a toda sociedade. É saber levar as informações passadas à frente, para que possamos reivindicar uma legislação que nos assegure das técnicas nocivas de manipulação massiva. A dúvida maior é: Será que conseguimos evitar o pior? Ou o pior já aconteceu?. Acredita-se que é mais fácil buscar soluções com o que mais arruína, do que se preocupar verdadeiramente com o que ela causa.

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